domingo, maio 05, 2019

Seiryoku Zen-yo e Jita Kyoei

Seiryoku Zen-yo e Jita Kyoei
Os dois princípios básicos da vida de um Judoka.

Para entender melhor os conceitos é necessários anos de estudo e intimidade com a cultura e a arte japonesa e segundo Miyamoto, mesmo assim não terá entendido tudo como um nihon-jin.
Jigoro Kano criou os fundamentos que regem a filosofia do Kodokan Judo através de estudos, experiências, observações e muita prática isto tudo no século XIX. Como algo tão antigo pode ser tão novo em seu conceito mais profundo? Talvez seja isto que tentamos responder.
Kano primeiro criou o Princípio do Seiryoku Zen-yo, ou seja, do “Melhor uso da Energia para melhor eficiência”, alguns estudiosos também citam que seria “O melhor uso da sua energia para fazer o bem”.
Este princípio é a busca pelo melhor uso possível das energias físicas e mentais. Integrando o princípio de JU (flexibilidade) e excedendo-o, ele convida à aplicação da solução mais relevante para qualquer problema: aja apenas, no momento certo, com um controle perfeito da energia usada, use a força e as intenções do parceiro em seu benefício. 
Seria interessante também entender o que significa “eficiência”, que pode ser entendida como; virtude ou característica de (alguém ou algo) ser competente, produtivo, de conseguir o melhor rendimento com o mínimo de erros e/ou dispêndios.
A eficiência é uma característica positiva, principalmente como parte do perfil de profissionais que desejam obter sucesso em suas áreas de atuação. Para que um indivíduo haja com eficiência, são necessárias outras qualidades essenciais, como a organização, o compromisso, a concentração, a pontualidade, o respeito, a criatividade e etc.
Jita Kyoei é o segundo princípio escrito por Kano, que tem o significado de "Harmonia e prosperidade mútua para si e para os outros”. Esses dois termos budistas JI+TA expressam duas noções antagônicas, o primeiro significa que nossa realização depende apenas de nossa própria força, enquanto a segunda expressa que é inteiramente dependente da força do outro.
Kyoei tem o significado dePara prosperar juntos”. Significa prosperar em todos os três níveis, material, físico e espiritual, sem excluir nenhum deles na interpretação desta fórmula.

Prof. Tadeu Miyamoto
5Dan Jujutsu/3Dan Judo
Abril 14,2019.

sábado, março 30, 2019

Para alcançar a iluminação.


Certa vez perguntei ao meu Mestre... Sensei o que devo fazer para alcançar a iluminação?
...e ele respondeu com um ar de sorriso, apontando para a lâmpada no centro da sala: "Apenas subir no banquinho!" (ahahahahahahahaa...)
Na verdade ele foi sarcástico.... mas depois explicou:
 "Vocês ocidentais acreditam em coisas mirabolantes, fantásticas, nããããão!...não existe nada disto é tudo muito simples, não crie falsas expectativas apenas pratique o ZEN."

quinta-feira, março 07, 2019

Kime no Kata

Shinken Shōbu Waza e Kime no kata

Artigo de Alfredo Vismara (segundo Toshirō Daigo, 10° Dan Kōdōkan, Katas do Kōdōkan 2, “Judo”, vol. 79 N.º 11, Novembro de 2008)
Alguns anos depois da fundação do Kōdōkan, foi criada a Shinken Shōbu no Kata (真剣勝負の形, kata de combate real), constituída numa primeira fase por dez técnicas e posteriormente por treze (no ano 20 da era Meiji 1887), logo depois da criação da Randori no Kata (constituída pela Nage no Kata e pela Katame no Kata).
No ano 39 da era Meiji (1906), quando a Dai Nippon Butokukai quis instituir a Shinken Shōbu no Kata, o Shihan (Kanō) apresentou o projecto inicial, constituído por treze técnicas; foram acrescentadas mais sete pela Butokukai, que foram discutidas e, por fim, a kata foi aprovado, tendo assim nascido a Kime no Kata (極の形, kata de defesa pessoal) actual.

Shinken Shōbu no Kata
Todos sabem que a origem do Jūdō é o Koryū Jūjutsu. O objectivo das escolas de Jūjutsu era o shinken shōbu waza (técnicas de combate real). Kanō shihan compreendeu que não seria possível desenvolver a sua concepção de randori (乱取り, prática livre) com muitas daquelas técnicas; então, excluiu as acções perigosas que, apesar de tudo, também faziam parte do Jūdō Kōdōkan, e decidiu que se deveria aprender as técnicas do shinken shōbu, tal como as do randori, mas separadamente. Desse modo, estabeleceu a Shinken Shōbu no Kata, que continha princípios diferentes da Randori no Kata.
O Shihan fez notar os erros que apresentavam as katas das várias escolas de Jūjutsu e, ao desenvolver a nova Shinken Shōbu no Kata, disse o seguinte: “A Kime no Kata foi designada Shōbu no Kata, com o significado de Shinken Shōbu no Kata, e é o objectivo das kata das antigas escolas de Jūjutsu. Sem dúvida que não se pode generalizar, mas, observando as kata que eram então praticadas, pensei que o espírito dos primeiros mestres que as tinham criado inicialmente fora esquecido. Observando as kata das várias escolas, vi que continham muitas técnicas ineficazes para quem praticou tanto o randori. Penso que não foram transmitidos os valores dos Mestres que as tinham codificado. Por isso, quando vi as kata de muitas escolas, não fiquei satisfeito; assim, tomando pureza essencial das kata das várias escolas e juntando os meus aperfeiçoamentos no estilo tradicional, criei aquilo que em tempos fora chamado Shōbu no Kata, e hoje, Kime no Kata.” (extraído de “Jūdō Hyakunen”, “Cem Anos de Jūdō”, de Oimatsu Shinichi).
A propósito da necessidade de aprender a Kime no Kata, o Shihan disse também o seguinte: “Na Kime no Kata estão técnicas impossíveis de aplicar no randori, pois no shinken shōbu waza não estão apenas projecções (nage) e imobilizações (katame), mas também golpes (utsu) e batimentos (tsuku), pontapés (keru), por vezes com armas de corte (kiru) ou de fogo (happō). Na Kime no Kata não se ensinam todas estas coisas: foi estabelecida com a finalidade de compreender a essência de tudo o que se aprendeu e, portanto, é necessário conhecer também essa kata para abarcar a totalidade do Jūdō Kōdōkan” (extraído de “Yūkō no Katsudō”, “Formas de Decisão”, Novembro, Taishō 10 - 1921).

Da Shinken Shōbu no Kata à Kime no Kata

No ano 20 da era Meiji, quando foi estabelecida esta kata, chamava-se Shinken Shōbu no Kata, Shōbu no Kata, ou ainda Shōbu Hō no Kata; depois, o nome foi alterado para Kime no Kata. Não se sabe bem, mas parece que o Shihan tomou essa decisão quando apresentou a kata ao Butokukai no ano 39 da era Meiji (1906), propondo o nome Kime no Kata a essa instituição. Porém, no “Keiō Gijuku Jūdōbushi” (História do grupo de Jūdō da Universidade de Keiō), está escrito no arquivo das reuniões que tiveram lugar no ano 29 da era Meiji (1896) que, durante as demonstrações, a Kime no Kata, até ao ano 43 da era Meiji (1910) se chamava Shōbu no Kata, e só depois do ano 44 da era Meiji (1911) se passou a chamar Kime no Kata.
Isto provaria uma hipótese diferente da minha, mas não sabemos se corresponde à realidade.
O Shihan disse: “A Kime no Kata de hoje foi estabelecida um pouco depois relativamente à Nage no Kata e à Katame no Kata.” No período transcorrido entre as dez técnicas iniciais e as treze técnicas, não se conhecem as motivações da proposta para este aumento.
No Jūdō Nenkan (Cronologia do Jūdō) está escrito que a Kime no Kata foi codificada no ano 20 da era Meiji (1887). A Randori no Kata foi criada nos anos 16 e 17 da era Meiji (1884-1885), portanto, dois ou três anos antes.
Depois da formalização da Kōdōkan Kime no Kata com treze técnicas, no ano 39 da era Meiji (1906), a Dai Nippon Butokukai quis oficializá-la como tinha feito anos antes com a Nage no Kata e a Katame no Kata. O Shihan apresentou o projecto com as treze técnicas mas, ao fim de algumas modificações e discussões, foi aprovado com a integração de outras sete técnicas.
Quanto aos pormenores da institucionalização da Kime no Kata pela Butokukai, o Shihan disse: “tinham a intenção de fazer uma kata, não para os especialistas que praticavam as kata sem quaisquer problemas nas suas escolas, mas que fosse útil para todo o país, e pediram-me para a criar.” (ditado por Kanō Shihan e escrito por Ochiai Torahē)
Havia então dois jūdōka a quem dei o título de Hanshi, chamados Totsuka Hidemi (Yōshin ryū) e Hoshino Kumon (Shiten ryū); falei com eles, nomeei-os membros da comissão, dizendo-lhes que faria o projecto inicial e depois, com base nele, teríamos uma discussão e decidiríamos como desenvolver uma kata que pudesse ser executada por todo o país; eles aceitaram.
Fiz então o projecto inicial, criei as bases da Shōbu no Kata do Kōdōkan e acrescentei de seguida algumas técnicas novas; os membros principais foram Totsuka, Hoshino e eu próprio, em conjunto com outros jūdōka especialistas de outras escolas. Completámos o Idori com 8 técnicas e o Tachiai com 12, tal como são actualmente.
Após várias discussões, quando me convenci de que estava tudo bem, decidi que era a kata para a Butokukai e ao mesmo tempo para o Kōdōkan. Estas são as origens da Kime no Kata do Kōdōkan.]
Tradução do japonês de Noriko Habuki e Matteo Masada
Tradução e adaptação da versão italiana por José Manuel Araújo

sexta-feira, fevereiro 15, 2019

quarta-feira, novembro 28, 2018

Sensei Tadeu se torna membro da Butoku Kai no Japão

 
Após reunião na Sede da Dai Nippon Butoku Kai International Division Shibu Portugal que aconteceu na Europa nos meados de setembro deste ano e por orientação do Presidente da Divisão Internacional da Butokukai de Kyoto Sensei Tenshi Hamada Hanshi, o Sensei Tadeu Miyamoto foi confirmado e aceito como Membro Certificado da Dai Nippon Butoku Kai, com as graduações de Faixa Preta 5ºDan Jujitsu e 3ºDan Judo, sob orientação do Sensei José Manuel Araújo Renshi.A Dai Nippon Butoku Kai (Sociedade para a Preservação das Virtudes Marciais do Japão) foi estabelecida originalmente em 1895, na antiga capital do Japão, Kyoto, sob a autoridade do governo japonês e o apoio de Sua Majestade o Imperador Meiji, com o objetivo de promover e preservar as disciplinas marciais praticadas de acordo com as antigas Escolas das Artes Marciais Tradicional e as virtudes associadas à cultura dos nobres guerreiros japoneses, os Samurais e a sua incomparável excelência histórica.
Após a Segunda Guerra Mundial, em 1946, houve sua extinção e somente em 1953 a DNBK foi reaberta, com uma filosofia de contribuição para a paz mundial, através da compreensão mútua e respeito, à luz dos princípios éticos do Budo(Arte Marcial Japonesa), procurando restaurar e preservar a cultura marcial tradicional das disciplinas clássicas, num espírito de harmonia e humanismo.Segundo o Sensei José Araújo Renshi, Presidente da Direção da União Portuguesa de Budo e Coordenador da Butokukai em Portugal haverá grande contribuição para a abertura da DNBK International Division Shibu Brasil, sob a responsabilidade do Sensei Tadeu Miyamoto, fato que também reafirma os laços históricos que ligam de forma duradoura os povos dos dois Países.
Sensei Tadeu deverá viajar para Kyoto no Japão para receber os Certificados que foram conferidos a ele, mas como nos informou, solicitou a entrega dos Diplomas na Europa, por ser mais simples a questão da Língua e a logística entre os países.

sexta-feira, novembro 23, 2018

Yata no kagami

O Espelho “Yata-no-Kagami”: Simboliza a sabedoria, seu nome significa literalmente “O espelho dos oito lados”, uma referência a seu formato octogonal. Fonte de misticismo e reverência, espelhos no antigo Japão representam a verdade, pois apenas refletem o que mostram. O antigo artefato de bronze representa o Sol na Bandeira Nacional do Japão.
• A Espada “Kusanagi-no-Tsurugi”: representa a origem do Bushido (O caminho dos Samurais).
• As Joias “Yasakani-no-Magatama”: representam as riquezas do País.
Referências: Wikipédia/Livro: Ancient Japanese Mythology/ Livro: Japan, History and Culture/Morton, W. Scott.


domingo, outubro 07, 2018

UKEMI


Este Kanji é usado nas palavras: UKE 受け e UKEMI 受身


Nós sempre ouvimos as palavras UKE, UKEMI desde quando começamos frequentar o Dojo, aprendemos que os termos UKE é para quem recebe a técnica e NAGE ou TORÍ é quem faz a técnica e também ouvimos como nos proteger utilizando um rolamento ou uma queda que chamamos UKEMI.
O Kanji para UKERU
é semelhante a uma mão na parte superior na parte média "Longo desenrolar (de um acontecimento) e na parte inferior tem o significado de muitas vezes"... significa a passagem de algo, geralmente do conhecimento ou da ciência de uma pessoa a outra.
Atualmente eu entendo que os praticantes usam o UKEMI como “à arte da fuga”, ou acreditam que o UKE é um artista na arte do fugir. Acredito que seja um erro tal pensamento, nós podemos até fugir, mas certamente não aprenderemos o espírito da técnica contido naquela movimentação específica.
Se tentarmos fugir da técnica por oposição, ou não formos sinceros no ataque ou na defesa, executando a queda (ukemi) excessivamente cedo, nós nunca sentiremos o que realmente o NAGE está tentando praticar e nós nunca receberemos a informação verdadeira. Mesmo como professor eu acredito que é importante manter isto no espírito quando for UKE ou TORI.
A parte de cima é um traço da direita superior para esquerda inferior + três tracinhos em baixo (mão)
A parte média é uma barra horizontal.
A parte inferior é o resto que parece um tronco humano com duas perninhas.
E o mesmo caso do ideograma "Amor":
Dividindo o ideograma nas partes que o compões fica "Longo desenrolar de um relacionamento de amizade e sentimento".
1. Mão
2. Longo desenrolar
3. Coração (sentimento)
4. Amizade
Além disso, alguns ideogramas evoluíram e já não apresentam a ideia original...O ideograma atual para amor é "Longo desenrolar de uma amizade”.
(Desconheço o autor)


quarta-feira, outubro 03, 2018

Tenjin Shin’yō-ryū (天神真楊流)


Tenjin Shin’yō-ryū (天神真楊流)

O Tenjin Shin’yō-ryū foi uma escola (ryūha, 流派) de Jūjutsu (柔術) fundada por Minamoto no Masatari Iso Mataemon na década de 1830. É baseada nas escolas Yōshin-ryū (楊心流) e Shin no Shindō-ryū (真之神道流). O Shin no Shindō-ryū também é uma derivação do Yōshin-ryū.
Tenjin Shin’yō-ryū significa “Verdadeira Escola Sagrada do Salgueiro”, em contraponto a Yōshin-ryū, que significa “Escola do Espírito do Salgueiro”.
A lenda diz que o fundador do Yōshin-ryū, Yoshitoki Shirōbei Akiyama, achando que o número de técnicas que ele tinha aprendido não era suficiente, refugiou-se no templo Tenmagū, onde se dedicou a 100 dias de meditação, quando desenvolveu 303 novas técnicas. Durante os 100 dias, em um dia em que nevava bastante, observando as árvores de salgueiro em volta do templo, percebeu que elas eram as únicas arvores que não tinham os seus galhos quebrados pelo peso da neve acumulada. Os galhos do salgueiro curvavam, deixavam a neve cair e voltavam a posição normal. Aflexibilidade do salgueiro impressionou Akiayama, que passou a ensinar que o corpo tem que ser flexível como os galhos do salgueiro.
O Tenjin Shin’yō-ryū é uma escola recente de Jūjutsu, floresceu no fim do período Edo (江戸, 1603-1868), década de 1860. Período de paz e onde as tradicionais armadura e espada japonesas já vinham em desuso. Seus discípulos usam hakama (袴). A escola ensina 124 formas (kata 形).
Suas técnicas consistem no uso de atemi-waza (当身技), nage-waza (投技), katame-waza (固技) e kappō (活法). Há uma grande enfase no uso de atemi em pontos vitais do corpo (kyushō 急所).
O atemi é usado para provocar o desequilíbrio (kuzushi 崩し), em seguida o oponente é projetado com nage-waza e finalmente dominado com uma técnica de katame-waza.
Nas técnicas de katame-waza temos as chaves ou torções kansetsu-waza (関節技), os estrangulamentos shime-waza (絞技) e as imobilizações osaekomi-waza (押込技).
Jigorō Kanō (嘉納治五郎), o fundador do Kōdōkan Jūdō (講道館柔道), estudou o Tenjin Shin’yō-ryū com o mestre Hachinosuke Fukuda e depois com Masatomo Iso Mataemon, terceiro sōke (宗家), neto do fundador. Outro aluno do terceiro sōke foi o fundador do Aikidō (合気道), Morihei Ueshiba (植芝盛平).
O Tenjin Shin’yō-ryū, junto com o Kitō-ryū, é uma das escolas de Jūjutsu mais importantes na formação do Jūdō. Praticamente todo o katame-waza do Jūdō foi absorvido dessa escola, bem como algumas técnicas de nage-waza.
O quinto sōke, Masayuki Iso Mataemon, não deixou um discípulo para seguir a tradição. A linha sucessória familiar foi quebrada.
O quarto sōke, Masanobu Iso Mataemon passou todo o conhecimento da escola para Torajirō Yagi, um grande discípulo do terceiro sōke. Torajirō Yagi passou para Fusatarō Sakamoto (Kōdōkan kudan), que passou para o atual shihanke Toshihirō Kubota (久保田敏弘, Kōdōkan shichidan), que recebeu sua graduação menkyo-kaiden (免許皆伝) em 1973. Fundou em 1978, 0 Tenyokai dōjō (道場), onde continua ensinando Tenjin Shin’yō-ryū e Kōdōkan Jūdō.
Existe outro ramo do Tenjin Shin’yō-ryū no Japão, de Keitarō Inoue da 4ª geração, para Hanzō Miyamoto, para Kasaburō Aimiya, para o menkyo-kaiden Kōichi Shibata (柴田孝一).
Toshihirō Kubota e Kōichi Shibata são os únicos menkyo-kaiden da atualidade. Shibata tem poucos alunos, praticamente restritos a sua família. Kubota tem muitos alunos, inclusive alunos reconhecidos na Inglaterra e na Austrália. O inglês Paul Masters chegou a penúltima graduação menkyo em 2006.
As graduações são: Shoden menjo kirigami, Chuden menjo mirigami, Mokuroku, Menkyo e Menkyo-kaiden.
Havia uma mulher menkyo-kaiden até 1993, quando Kazu Tobari faleceu, sem deixar discípulos.
Por ser uma escola de Jūjutsu relativamente recente, sua história é bem preservada e existem diversos livros detalhando suas técnicas e sua história. Um do principais livros é Tenjin Shin’yō-ryū Jūjutsu Gokui Kyoju Zukai (天神真楊流柔術極意教授図解) de Chiharu Yoshida (吉田千春), discípulo do quarto sōke. O prefácio desse livro foi escrito por Jigorō Kanō.



segunda-feira, abril 30, 2018

REGULAMENTO DA PROMOÇÃO:Traga 1 amigo e ganhe


1.0. PRAZO E ÁREA DE EXECUÇÃO DA PROMOÇÃO.
1.1. O período de execução da presente promoção será de 02 de maio de 2018 a 02 de junho de 2018, participante para solução de quaisquer questões referentes a presente Promoção.(Itaporanga, 02 de maio de 2018)

sexta-feira, abril 20, 2018

Ensaios sobre a história da Butoku Kendokan




Ensaios sobre a história da Butoku Kendokan
O Shodan “Miyamoto Shosam”
22/10/2005

Em dezembro de 1992 Sensei Miyamoto me convidou para ir a sua casa pela primeira vez, um pequeno apartamento num condomínio que ficava ao lado do centro comercial de Santo Amaro, na Capital Paulista. Era algo fascinante poder ir à casa do Mestre, uma ocasião onde me senti muito honrado por tal convite. Era uma casa simples, tudo muito antigo, a decoração deveria ser do início dos anos 80.

Sensei morava com uma filha que falava pouco, o máximo que ela disse neste dia foi um “oi”, bem baixinho, quase inaudível e de cabeça curvada para baixo logo sumiu pelos cômodos no fundo do apartamento.

Sensei voltou e trouxe alguns papéis, um cartão grande e algo dentro de um pacote de mais ou menos um metro de comprimento. Eu estava em pé no centro da sala e ele me pediu para sentar, abriu um pequeno armário, retirou uma espécie de pratinho raso e uma garrafinha de saque, colocou um lenço branco sobre a mesinha e despejou o saquê na tijelinha, bebeu um pouco, girou o lenço sobre a mesa e me disse para pegar o “sakazuki” e beber. Eu demorei um pouco, pois não entendia o que estava acontecendo, então ele falou; “É saquê, você pode beber para confraternizar com seu mestre ou apenas não aceitar, se não aceitar nada acontecerá, se aceitar terá um presente”.

Eu, fascinado com aquele momento e interessado no presente surpresa, bebi o que sobrou do saquê. Sensei puxou o lenço dobrou-o com a tijelinha dentro e me entregou, pediu que guardasse e disse: “Muito bom, agora você é da família e seu nome será Shosam”.

Ingênuo e sem entender bem os costumes Japoneses eu perguntei ao Sensei que família era esta que ela falou, então ele explicou; “Você tem sua família, seus pais e irmãos, mas agora você faz parte de uma família maior, família de tradições antigas e que segue um código, eu vou orientar você dentro desta família como seu mestre e você será um bom e honrado discípulo”.

Aquilo tudo era surreal e eu me sentia muito fascinado, logo ele pegou aquele cartão que parecia um quadro de parede e  disse que era um poema, que eu deveria mantê-lo comigo e um dia colocar em meu Dojo, depois leu o cartão dizendo: “Burajiru ni hajimaru ka kei ama takashi”. Eu logicamente não entendi nada e apenas fiquei olhando para aqueles kanjis pintados numa tira de papel. Passados alguns minutos em silêncio, tomei coragem e pedi para o Sensei fazer a tradução. Sensei parou, olhou para a escrita e falou; “Inicia-se no Brasil do céu azul e infinito linhagem familiar”.

 Depois me devolveu o quadro e entregou o pacote, eu desconfiei que ali deveria conter uma espada, não uma katana, pois o pacote era muito leve, mas algo semelhante então Sensei segurou firme o pacote pelo meio e disse; “Não abra! leve para sua casa e quando estiver sozinho poderá ver o que tem dentro”.

Logo Sensei se despediu dizendo que eu deveria ir, pois ele tinha obrigações no Templo Budista. Eu levantei peguei os presentes e fui embora, chegando em casa abri o pacote e percebi que era uma shinai antiga, bem gasta pelo seu uso, algo que eu tenho até hoje.

Passados alguns dias exatamente no dia 28 de dezembro de 1992 eu retornei ao apartamento do Sensei conforme ele havia determinado algumas semanas antes quando foi ao Dojo. Ao chegar conversamos um pouco sobre Budismo e sobre o Dojo, em determinado momento ele se levantou, pegou um envelope na estante e retirou uma folha de dentro, pediu para que eu ficasse em pé, me entregou um certificado escrito em japonês e falou: “Agora você receberá o Shodan pelo seu desenvolvimento marcial e pessoal, mas precisa estudar mais, se quiser ser um mestre tem que fazer faculdade, ter um bom emprego, respeitar as pessoas e ser modelo para os discípulos”.

Alguns anos atrás entendi que tudo aquilo com o saquê, o poema e a shinai foi uma cerimônia simples, mas com profundos sentimentos de disciplina, honra e aceitação e que a mensagem que Sensei  me dava naquele momento era sobre a necessidade primordial de estudar e crescer tanto na vida pessoal como profissional.